21/06/2004 19:10
>"Dia de Mudança"
Pessoal, eu mudei de endereço, que agora está ficando mais parecido comigo. Já tem Post novo.
Agora está bem melhor e todos podem comentar!!!
O endereço é:
www.oliriodovale.zip.net
enviada por Elis
19/06/2004 12:57
O MUNDO DOS BONS HOMENS
Estava uma tarde agradável, já tinha cuidado dos alecrins, dos cravos do meu jardim e plantado as mudas de Jasmim que logo florescerá, visto que já estão enormes e cheias de vida.
O jardim do meu avô é o mais lindo que já vi, ele mora do lado da minha casa, e lá tem uma variedade de flores. Quando é tempo das ameixas e gabirobas fica tudo colorido e eu me delicio com estas. Às vezes, ele me dá helioconias, as quais enfeitam minha casa. O que mais gosto de lá são as borboletas, que me trazem aos olhos cores das quais, penso que, nunca tinha visto antes.
O meu avô é um senhor muito conversador, do tipo brabão, que fala alto e tudo mais. Sua nova esposa passa aqui (Curitiba) o verão inteiro, depois volta para Recife, sua cidade natal, porque Curitiba é fria a maior parte do ano e ela fica doente.
Naquela tarde, começamos a conversar sobre, as mudas de alface que ele havia plantado e muitas outras coisas, quando percebi, já estava sentada em um banquinho na varanda da casa dele e ele me contava que um dia em Caxias (no Rio Grande do Sul, somos todos de lá), estava saindo do trabalho para almoçar, no caminho encontrou um rapaz, do qual, não conhecia mais sabia que morava por perto, pois, sempre topava com ele e quando isso acontecia, trocavam uma simpática saudação. O vô me disse que sabia que ele tinha sido preso algumas vezes, mais não sabia como estava vivendo naquela época e nem se tinha família.
O caso é que, quando se encontraram, e os dois se cumprimentaram, o rapaz pediu dinheiro para comer, estava com fome e não tinha nada, então, me avô pediu que o acompanhasse, pois, estava indo almoçar e que naquele dia seria seu convidado. Seguiram então, conversando um pouco, quando chegaram no restaurante meu avô entrou primeiro e nesse momento ouviu-se um grito e o homem que o acompanhava saiu correndo. Um policial o havia reconhecido, pois, escapara da prisão naquela semana e então atirou no rapaz que caiu logo em seguida, sem mais nem um sopro de vida.
Fiquei olhando para o chão e quando olhei para meu avô, também olhava para o mesmo, ficou um tempo assim, depois me olhou concluindo: Se eu tivesse dado o dinheiro a ele; Eu queria que ele se alimentasse bem; O pobre homem morreu com fome.
Lembrando dessa história e do olhar desolador do meu avô, não consegui conter as lágrimas. Mas naquele momento, não ousei chorar, com medo de faze-lo se sentir mais culpado ainda, me limitei a ficar calada e me odiei por isso. Queria dizer que talvez se o rapaz não tivesse corrido ou dizer que muitas pessoas nem se importam com a fome dos outros... Mas não consegui dizer uma palavra. Fiquei calada e por alguns momentos ele também.
enviada por Elis
17/06/2004 20:12
UM PINTOR
Há um tempo atrás, eu li sobre um pintor paisagista do século XVII que mudou minha opinião sobre este gênero de pintura, até então, não simpatizava muito, achava bonito, mais não me interessava nem um pouco, talvez porque eu quisesse ver algo a mais, as entrelinhas os seus signos ou mesmo a falta desses, como característica de algumas obras pós-modernas.
O nome do pintor que mudou minha concepção é Jacob Van Huisdael, ele era Holandês e em suas pinturas, as cores são densas, o céu com nuvens carregadas, como que, avisando o surgimento de uma tempestade, o mar sempre forte, em revolta. Na verdade, ele era fiel a natureza, mas procurava nesta, seus próprios sentimentos, seus medos, refletindo na arte o próprio espírito. O homem, para ele, era insignificante frente ao poder da natureza. E realmente, quando se olha para eles, a gente sente uma angustia, uma certa tristeza, melancolia seria o termo certo.
Em 1660 ele pintou um quadro chamado O Cemitério Judeu, onde lápides funerárias, troncos secos, contrastavam com as plantas verdes, os brotos das árvores, como significado de transitoriedade da existência humana, a harmonia da vida e da morte. O mais bacana é que essa obra é a preferida do Goethe (escritor alemão) e pelo que sei, uma grande inspiração para seus escritos. Apaixonei-me pelo cara, suas obras são lindas (não são minhas preferidas, mas, vale a pena conferir). Nossa autobiografia sempre agradece!
Falando um pouco mais sobre arte: Assisti ao filme Diário de Motocicleta e foi uma surpresa, pois, descobri que estava completamente certa sobre o filme. Ele é maravilhoso! Forte, belo, poético e humano, no sentido mais belo e profundo da palavra. Com ótimas atuações. Vi algumas entrevistas com o Gael.... (ator que interpretou Ernesto Guevara no filme) e o achei ótimo, com uma humildade e um carisma fenomenal. Tudo bem que eu sou um pouco deslumbrada, mais saí do cinema com o coração exaltado, sempre tive o maior orgulho de ser brasileira, mas nesses momentos a gente se percebe mais, no sentido de sermos Latino-americanos, então pensei: veja só, eu sabia, nosso cinema é e sempre foi um dos melhores.
enviada por Elis
15/06/2004 16:58
O LÍRIO DO VALE
Estava lendo o Post do Sérgio Villar (segue abaixo o endereço) do dia 07/06/04, onde ele fala de sua avó que está muito doente. Neste, ele fala da sua impossibilidade de ajudar, nos mostrando a fragilidade do ser humano e do nosso medo de perder quem amamos. Medo de sentir saudade O tempo querida é algoz dos amantes, medo de não ter tempo suficiente para amar mais!
Como este é meu primeiro Post, quero muito falar sobre elas: A minha avó, a avó do Sérgio e de todas as outras avós queridas do mundo. Eu, como muitos outros, não tive tempo de amar mais, pois, se assim o pudesse ela jamais iria embora.
Ás vezes olho para o céu com um desespero enorme, uma necessidade empírica de vê-la, queria tocar em seus cabelos. É como quando, sabemos que alguém que amamos vai fazer uma viagem longa e não chegamos em tempo de dizer para a pessoa: - Deus te acompanhe. E não damos nem um abraço. Então, ficamos com essa sensação de coisa inacabada, uma certa mágoa. As lágrimas correm e a dor se alimenta da nossa força e cresce a cada segunda da nossa existência. E quando se olha para o céu, percebemos que este já não é tão azul como antes, o sol já não aquece mais e os sorrisos não são tão alegres e verdadeiros.
Quero dizer com tudo isso que algo de bom sempre fica, assim....
Amo a minha avó e espero que de alguma forma ela saiba que os meus dias nesse mundo foram indiscritivelmente bons ao seu lado, e que, cada segundo com ela me fez querer ser um ser humano melhor; tudo que fiz e faço de bom é por ela, por isso, valeu a pena ter nascido. Eu a conheci e isso é maravilhoso. Ela era, como já sabes mesmo sem nada saber ainda, o LÍRIO DAQUELE VALE, onde crescia para o céu, impregnando com o perfume de suas virtudes. (Balsac).
Assim, termino meu texto cantando a nossa música; sim, nós temos uma trilha sonora, pois acredito realmente que toda história humana regada de amor, precisa de uma dessas. É algo entre milhares de outras que perduram. Eu canto, não somente para ela, mais também para a avó do Sérgio (que eu rezo para que melhore), mulher da qual eu não conheço, mais percebo através dos textos do Sérgio que também é maravilhosa (um ser humano incrível) e para todas as avós que a aceite.
Na estrada
Ela vai voltar, vai chegar
E se demorar, Ill wait for you
Ela vem, e ninguém mais bela
Baby, I wanna be yours tonight
Sem botão, no tempo, no topo, no chão
Em cada escada, a caminhada a pé, de caminhão
Seu horário nunca é cedo aonde estou
E quando escondo a minha olheira
É pra colher amor
Sala sem ela tem janela
Inclina em cerca de atenção
Ela vem, e ninguém mais
Ela vem em minha direção
Sala sem ela tem janela
Inclina em cerca de atenção
Ele vem, e ninguém mais
Bela vem em minha direção.
Marisa Monte/Nando Reis/ Carlinhos Brown
ps: O endereço do blog do Sérgio é www.cotidianopungente.weblogger.terra.com.br
enviada por Elis
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